Sorrisos
ENXERTOS ÓSSEOS - MITO VS REALIDADE

Quando começamos um texto, uma comunicação ou uma palestra com uma frase chave, como a que está acima tem um propósito:

– Chamar a atenção dos leitores, ou dos ouvintes.

Nesta situação, a chamada da atenção não para os enxertos de osso em si, porque eles existem, mas para quem os apregoa e vende, em que tudo é enxerto, em que qualquer manobra óssea ou de preenchimento de defeito, mesmo que inexistente se intitula pomposamente de enxerto ósseo.

Seja para fins comerciais, empresariais ou para ajustes de egos desproporcionados, vemos infelizmente nos nossos dias muito enxertos ósseos apregoados, vendidos, ou prometidos aos pacientes, mas enxertos executados com rigor, propósito e capacidade cirúrgica, digo, muito honestamente e em nome da minha classe profissional, em nome dos códigos deontológicos médicos e em noma da Legis Artis cirúrgica, digo e repito, que tenho visto muito poucos colegas ao longo da minha carreira.

Não estou a dizer que só eu ou a minha equipa é que sabemos fazer, aliás, porque se o dissesse, não seria cirurgia, cirurgia como ciência, mas sim cirurgia como habilidade, como empirismo, e tal não é médico, é uma habilidade, com todo o rigor médico e cientifico que tal não tem.

Uma manobra médica, ou cirúrgica, tem uma curva de aprendizagem, que depende da experiência e conhecimento adquirido pelo cirurgião ao longo da sua prática clinica, mas que todo e qualquer cirurgião informado, treinado e responsável é capaz de fazer, quando alcançar e dominar a sua curva de aprendizagem. Portanto, se algum de nós cirurgiões ou médicos, vos disser, que possui uma técnica que só ele é que domina e faz, não é ciência, é malabarismo.

E com isto, entro no capitulo da Cirurgia Oral que fala acerca dos Enxertos Ósseos.

Precisamos de colocar osso onde não existe e retirar de onde não faz falta ou temos em excesso. Portanto na cirurgia tanto temos de colocar enxertos ósseos, como precisamos de regularizar, alterar a forma, ou reduzir a quantidade de osso.

Manipular osso, seja, o seu corte, o seu desgaste, a sua perfuração, o seu aparafusamento, a sua própria manipulação física fora do corpo e recolocação, de um local para outro, requer um elevado nível de conhecimento, treino, perícia e tecnologia, e todo o envolvimento de uma equipa treinada para a sua execução. Já não falo do conhecimento anatómico, fisiológico, biológico e genético que está implícito a quem se intitula como Médico.

Portanto, os enxertos ósseos não são um mito e funcionam muito bem.

Depois temos toda uma informação e contra-informação sobre a origem dos enxertos, com toda uma variedade de origens, desde um “pózinho” milagroso a umas membranas fenomenais que basta juntar água a ferver e temos a sopa pronta…

Ironia à parte, e perdoem-me este meu exagero, mas tanto nas formações onde estou presente como formador, quer na Universidade de Londres onde dou continuação à minha formação Cirúrgica, quer ao longo destes últimos 10 anos onde me dedico exclusivamente à Cirurgia Oral e sua prática Clinica, são inúmeros os casos de enxertos que não tiveram sucesso ou por erro de planeamento, ou por erro do material escolhido, ou por erro da técnica cirúrgica adoptada, ou por infecção, ou por tabaco, ou por falta de higiene do paciente, ou por simplesmente não estar indicado devido à história médica do paciente.

Sem querer aprofundar do ponto de vista médico ou cirúrgico, uma vez que não é essa a intenção deste documento, e porque em vez de esclarecer, corro o risco de ainda complicar mais um assunto que por si só já é complexo e fonte de inúmeras comunicações, artigos científicos, capítulos de livros, revistas médicas, conferências, pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

Portanto não devo eu complicar na sua descrição e aconselhamento, nem deve existir um facilitismo na sua utilização ou banalização, como já presenciei de um enxerto ser só colocar um pouco de material num defeito, ou aplicar uma membrana por cima de osso, seja artificial ou autógeno (do próprio paciente) e já está, não respeitando propriedades dos materiais ou seu comportamento no organismo.

– Qual a origem do enxerto?

– É de origem animal?

– É de cadáver?

– É do próprio paciente?

– Qual o melhor?

Começamos a chegar à altura em que para além da técnica cirúrgica a escolher, temos de falar acerca do tipo de enxerto, tipo de material ou origem do mesmo.

O enxerto pode ser de origem sintética, animal ou humana.

Do ponto de vista de função a Medicina Dentária temos hoje em dia ao nosso dispor um conjunto e uma variedade de materiais que permitem obter também eles diferentes resultados e que muitas vezes se complementam.

Temos materiais que vão facilitar ou induzir a formação óssea, por isso se chamam Osteoindutores.

Temos materiais que conduzem a formação de osso de um local para o outro e daí o nome de Osteocondutores.

Os materiais sintéticos de preenchimento formam matrizes, esqueletos para permitir que o corpo cresça através deles, permitindo a sua invasão pelos vasos sanguíneos e terminais nervosos que vão levar aporte de oxigénio e nutrientes ao local, assim como marcadores bioquímicos e celulares para que se comece todo o processo de formação de osso, Osteoindução, para obtermos Osteogénese (formação de osso).

Faz parte da minha área diária de intervenção clinica e cirúrgica, assim como parte integrante do meu currículo de estudo em várias Universidades de vários países, Lisboa, Porto, Barcelona, Paris, São Paulo, Londres por onde passei até hoje e é provavelmente e continuará a ser uma das áreas de maior estudo e envolvimento da classe cientifica internacional.

Não quero e não posso num texto de blogue ir mais além em termos de conhecimento médico e cientifico especifico e especializado, mas ainda vou deixar aqui mais material para que o caro leitor tenha tópicos de interesse para poder investigar por conta própria ou em livros ou na internet, prática normal e habitual nos dias que correm.

O enxerto pode ser de origem animal como bovino, suíno, equino e por aí fora.

Já se utilizou no passado e em alguns centros científicos ainda hoje o recurso ao banco de cadáveres, mas de acordo com a literatura actual, para o tipo de cirurgia de enxerto ósseo em Cirurgia Oral, não é de facto o mais utlizado.

Temos o próprio osso do paciente ao nosso dispor, o chamado enxerto autógeno.

Aqui gerimos o património ósseo de cada paciente e retiramos osso de onde existe para onde não existe.

Como locais dadores temos várias regiões anatómicas, desde osso da crista ilíaca, à costela, à tíbia, ao peróneo, à calote craniana, mas na minha opinião clinica, médica e cirúrgica, repito, na minha opinião, baseada obviamente em anos de experiência, nos meus e nos daqueles com quem eu aprendi, e em estudos, em artigos, em Medicina Baseada na Evidência Médica, posso concluir que este tipo de zonas dadoras se justificam nos dias de hoje para situações de reconstrução major da face e maxilares, no âmbito da Cirurgia Maxilofacial em pós trauma, e em pós patologia oncológica com recurso a cirurgia ressectiva.

As zonas dadoras para a Cirurgia Oral e de Implantologia mais utilizadas e que nos permitem ter uma maior previsibilidade do tratamento encontram-se intra-oralmente, com o recurso a enxertos do ramo da mandibula, do mento e da tuberosidade maxilar.

Como todo e qualquer procedimento médico, é fundamental que a técnica cirúrgica seja levada a cabo por um profissional médico/cirurgião capacitado e treinado para o devido efeito e com um currículo apto para o mesmo fim. Bem sei que parece demasiado óbvio, mas acreditem, não é assim tão óbvio.

Em jeito de conclusão deixo uma pequena provocação:

– Podem os caros leitores tentar pesquisar na internet e na literatura, ou ainda mais fácil, existem profissionais que estudaram e estudam durante anos, que dedicam toda uma vida à prática médica e cirúrgica, que regra geral possuem um espaço onde os receber, nas suas clinicas e com um tempo especifico para toda e qualquer pergunta, a chamada consulta.

A recomendação que aqui deixo:

– Faça as suas perguntas, marque uma consulta connosco ou com o seu médico dentista.

Existem porém situações em que por maior que seja o enxerto, o defeito, a atrofia do Maxilar Superior, neste caso, é tão grande que se chegou à conclusão nos últimos 15 anos, mais ainda nos últimos 10 anos, que a solução do enxerto não serve para todos nem para tudo e temos ao nosso dispor outro tipo de abordagem:

– Os Implantes Zigomáticos.

Mas esta é uma outra história…

Será o meu próximo tema a desenvolver neste blogue.

Até breve e não se esqueça de ser feliz. Apesar de tudo sorrir não dói.

Se for o caso, se o facto de sorrir lhe provoca dor, náusea, ou desequilíbrio, consulte o seu médico dentista…

Até uma próxima oportunidade!

Dr. Luis Pinheiro

Dr. Luis Pinheiro

• Mestre em Cirurgia Oral e Maxilofacial no Eastman Dental Institute – University College of London
• Membro Associado da Sociedade Britânica de Cirurgia Oral (n.º 2277)
• Membro associado da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Oral
• Pratica Exclusiva privada em Cirurgia Oral e Implantologia
• Implantologia e Cirurgia Avançada em Cadáver – Universidade de Barcelona
• Reabilitação de Maxilas Atróficas com Credenciamento em Implantes Zigomáticos – INEPO – São Paulo
• Membro permanente da equipa de formação da S.I.N. – Implant System – como orador para Portugal e Europa, com mais de 1000 horas de formação dada, Cirurgia Oral e Implantologia

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