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PROCEDIMENTO DE BRANQUEAMENTO DENTÁRIO E OS SEUS EFEITOS CONTROVERSOS

A história da medicina dentária é composta por inúmeros esforços efectuados no sentido de alcançar um método eficaz de branqueamento dentário.

Os branqueamentos dentários começaram em 1868, por meio do ácido oxálico e posteriormente surgiu o peróxido de hidrogénio concentrado com a ajuda de um instrumento de aquecimento ou uma fonte de luz para a sua activação sobre os dentes.

No final da década de 1960, uma técnica bem-sucedida de branqueamento dentária em casa foi estabelecida quando o Dr. Bill Klusmier, um ortodontista, instruiu os seus pacientes a usar um anti-séptico oral que continha 10% de peróxido de carbamida e que era colocado numa moldeira que o paciente usava durante a noite. Dr. Klusmier descobriu que este tratamento não só melhorava a saúde gengival, mas também branqueava os seus dentes.

Os agentes branqueadores foram lançados nos Estados Unidos na década de 1990, contendo concentrações mais baixas de peróxido de Hidrogénio ou Peróxido de Carbamida e vendidos directamente aos consumidores para uso doméstico.

A técnica actual de branqueamento dentário em consultório normalmente utiliza diferentes concentrações de peróxido de hidrogénio, entre 15% e 40% com ou sem luz.

Tipos de manchas dentárias / descolorações

Muitos tipos de problemas com a cor podem afectar a aparência dos dentes, e as causas desses problemas variam, assim como a velocidade com a qual podem ser removidas. As caudas da coloração dos dentes devem ser cuidadosamente avaliadas para uma melhor previsão da taxa de sucesso e o grau em que o branqueamento melhorará a cor do dente, já que algumas manchas cedem mais facilmente ao processo de branqueamento que outras. As descolorações podem ser extrínsecas ou intrínsecas.

Manchas extrínsecas

As manchas extrínsecas geralmente resultam da acumulação de substâncias cromatogênicas na superfície externa do dente. Alterações extrínsecas de cor podem ocorrer devido à higiene oral deficiente, ingestão de alimentos e bebidas cromatogênicas e hábitos tabágicos.

A retenção desses elementos cromatógénicos ocorre quando as proteínas existentes na saliva se ligam à superfície de esmalte através de ligações com o cálcio e levando consequentemente à formação de uma pelicula. Na fase inicial de coloração, os cromogéneos interagem com essa pelicula através de ligações de hidrogénio. A maioria das manchas extrínsecas pode ser facilmente removida por procedimentos de higiene oral de rotina. Com o tempo, essas manchas escurecerão e tornam-se mais persistentes, mas ainda respondem facilmente aos procedimentos de branqueamento dentário.

Manchas intrínsecas

As manchas intrínsecas são geralmente causadas por manchas internas mais profundas ou defeitos de esmalte. São causadas pelo envelhecimento, ingestão de alimentos e bebidas cromáticas, uso de tabaco, medicação há base de tetraciclinas, ingestão excessiva de flúor, icterícia grave na infância, cárie dentária, restaurações e o adelgaçamento da camada de esmalte.

O envelhecimento é uma causa comum da descoloração. Com o tempo a dentina tende a escurecer devido à formação de um tecido que se chama de dentina secundária que é mais escura e mais opaca do que a dentina original e consequentemente o esmalte dentário torna-se mais fino e permite que a cor mais escura da dentina seja mais visível.

As manchas intrínsecas não podem ser removidas com procedimentos comuns de higiene oral. No entanto, eles podem ser reduzidos pelo branqueamento com agentes que penetram o esmalte e a dentina. As manchas dentárias causadas pelo envelhecimento, genética, tabaco ou café são as mais rápidas para responder ao branqueamento.

Os agentes de branqueamento atuais contêm ingredientes ativos e inativos. Os ingredientes activos incluem peróxido de hidrogénio ou compostos de peróxido de carbamida.

Mecanismo de branqueamento dentário

Os produtos de branqueamento usados em consultório ou em casa contêm peróxido de hidrogénio ou peróxido de carbamida como componente activo em concentrações que variam de 3% a 40%.

A activação do hidróxido de hidrogénio através de luz ou de lasers leva a formação de radicais hidroxilo a partir do peróxido de hidrogénio e demonstraram aumentar o potencial de branqueamento dado origem a resultado mais rápidos.

Alguns produtos de branqueamento tem associado o fosfato de cálcio para reduzir a sensibilidade, reduzir a desmineralização do esmalte através de um processo de remineralização após tratamentos de branqueamento e aumenta o brilho dos dentes.

Existem dois tipos de branqueamento:
Branqueamento em Clínica

Este branqueamento utiliza uma concentração alta dos agentes branqueadores, peróxido de hidrogénio entre os 25-40%. Este tipo de branqueamento é mais seguro pois o médico dentista tem o controlo completo durante o procedimento e tem a capacidade de terminar o procedimento na tonalidade / efeito desejado.

Neste tipo de branqueamento diferentes tipos de luzes activadoras (Luz de halogéneo, lapada de plasma, luz Xe-halogéneo, lasers de díodo ou luz de iodetos metálicos) podem ser usadas para activar o gel branqueador ou acelerar o efeito do branqueamento.

Este tipo de branqueamento é efectuado durante cerca de uma hora em clínica por sessões de 20 minutos.

Branqueamento ambulatório (em casa)

O branqueamento feito em casa oferece como vantagens: autoadministração pelo paciente, menor tempo no consultório, alto grau de segurança, menor custo. No entanto está técnica em termos de resultado nem sempre é tão eficiente porque obriga a uma responsabilização por parte do paciente e que muitas vezes não é cumprida.

A concentração de 35% de peróxido de hidrogênio é recomendada por alguns médicos para branqueamento dentário em consultório, enquanto o branqueamento ambulatório (feito em casa) utiliza concentrações de 10%, 15% ou 20% de peróxido de carbamida.

Existem também inúmeros produtos branqueadores de venda livre vendidos quer em supermercados ou através de televendas, que aumentaram a popularidade nos últimos anos. Estes produtos são compostos de uma baixa concentração de agente branqueador (3 a 6% de peróxido de hidrogênio). Estes agentes de branqueamento podem ser de segurança altamente questionável, porque alguns não são regulados pela Food and Drug Administration (FDA).

Efeitos do processo de branqueamento
Efeitos nos tecidos moles (gengiva)

O branqueamento em consultório mais potente (peróxido de hidrogênio a 30-35%) pode facilmente produzir queimaduras de tecidos moles, tornando o tecido branco. Em geral, essas queimaduras de tecido são reversíveis, sem consequências a longo prazo, se a exposição ao material de branqueamento for limitada em tempo e quantidade.

A reidratação e a aplicação de um gel antisséptico leva a recuperação rapida da cor do tecido. Portanto, é muito importante proteger os tecidos moles com um dique de borracha ou outras medidas para evitar queimaduras nos tecidos.

Além disso, foi relatada irritação dos tecidos moles com o branqueamento caseiro. Essa irritação é provavelmente devido a uma moldeira de branqueamento mal ajustada, e não associada ao próprio agente de branqueamento.

Efeitos sistêmicos

Há maior preocupação com os possíveis efeitos adversos dos agentes de branqueamento ambulatório, embora suas concentrações sejam muito inferiores às dos agentes branqueamento em consultório, porque estes são controlados pelo médico dentista.

Ocasionalmente, os pacientes relatam irritação da mucosa gastrointestinal, por exemplo, paladar e garganta em queimada e pequenas perturbações no estômago ou intestinos. No entanto, a maioria dos relatos na literatura concluiu que o uso de baixas concentrações de peróxido de hidrogênio no branqueamento dentário ainda é seguro.

Efeitos do branqueamento dentário na estrutura dentária:

Os estudos mais recentes examinaram alterações na micromorfologia e na microdureza da superfície do esmalte após o branqueamento com duas diferentes concentrações de peróxido de hidrogênio e peróxido de carbamida, utilizando gel de branqueamento contendo 10% ou 35% de peróxido de Carbamida ou 3,6% ou 10% de peróxido de Hidrogénio, respectivamente. por duas horas a cada segundo dia durante um período de 2 semanas. Verificou-se que a aplicação de peróxido de carbamida e peróxido de hidrogênio mostrou apenas pequenas diferenças quantitativas e qualitativas, ou seja, não alteram negativamente de forma valorável a superficie do dente.

Em conclusão, a procura crescente por branqueamento dentário levou muitos fabricantes e investigadores a desenvolverem produtos branqueadores para serem usados no consultório ou em casa. No entanto, como acontece com qualquer procedimento dentário, o branqueamento envolve riscos.

Para minimizar os riscos, é necessário consultar um profissional de medicina dentária que tenha conhecimento e experiência neste tipo de procedimento por forma a dar ao paciente todas as indicações e regras a cumprir para conseguir o sucesso no processo de branqueamento.

Dr. Tiago Ribeiro

Dr. Tiago Ribeiro

- Licenciado em Medicina Dentária em 2007 no I.S.C.S.E.M. – Monte de Caparica - Portugal

- Registado na Ordem dos Médicos Dentistas – Portugal (desde Agosto de 2007)

- Fundador e Director Clínico na Clinica de Estética e Reabilitação Oral (C.E.R.O.) Almada

- Cirurgia Estética Plástica e Periodontal - Universidade Complutense de Madrid

- Ortodontia e ortopedia dento-facial - Instituto internacional de Ciencia Medica & Dentária

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