Sorrisos

Apenas diagnosticamos aquilo que conhecemos e por vezes, necessitamos de uma visão Raio-X

É uma verdade universal na Medicina e noutras ciências que investigam e interpretam sinais e sintomas. Para nós, clínicos, os sinais e os sintomas que o paciente nos relata, constituem pistas que nos vão encaminhando no nosso raciocínio médico, científico e lógico para o fio condutor que nos vai permitir associar os nossos conhecimentos acumulados ao longo de décadas de estudo e cristalizados pela nossa prática médica e cirúrgica ao longo dos anos e das longas horas de trabalho com os nossos pacientes.

Por outro lado, a nossa sociedade evolui de forma exponencial, o conhecimento científico é hoje em dia muito mais fácil de obter e de distribuir pelos centros de conhecimento mundial com uma velocidade que nos faz sentir pequenos, lentos e com limitações para acompanharmos o que de melhor e mais actual se faz na nossa área médica de intervenção.

Todos os dias são publicados artigos científicos sobre um determinado tema de uma determinada área e são com estes contributos, menores ou maiores que todos somados, no fim do dia, vão permitindo a ciência avançar, vão-nos permitindo a nós médicos acompanhar esse mesmo avanço e desta relação simbiótica entre médicos e a ciência, onde ambos contribuem para o sucesso mútuo, que no final do processo, serão os pacientes os grandes ganhadores, e a relação médico-paciente, essa mesma, que aprendemos e tudo fazemos para que seja correcta, equilibrada, justa, perfeita e protegida, será tremendamente enriquecida.

Com esta enorme evolução técnica e científica, ganhámos na nossa prática clínica diária um novo “arsenal” que nos permite ser cada vez mais rápidos a diagnosticar, mais correctos a estabelecer um plano de tratamento por prioridades e gravidade e mais previsíveis e seguros nos tratamentos que oferecemos como opção aos nossos pacientes.

E estes tratamentos são tendencionalmente mais previsíveis, eficazes e eficientes. E porquê?

Por:

  • Termos melhores meios de diagnóstico
  • Trabalharmos diariamente para enriquecer o nosso curriculum de formação, desde a área médica, científica, técnica, radiológica, informática e por aí fora
  • Não conseguirmos falar hoje em dia em cirurgia, no meu caso em Cirurgia Oral e Implantologia, sem falarmos na tecnologia digital e informática que nos ajuda nas cirúrgias.

Esta tecnologia intervém no:

  • Diagnóstico
  • Planeamento
  • Tratamento
  • Controlo e manutenção pós-cirúrgico.

Quando tenho um paciente para Cirurgia, começo por estabelecer uma História Clínica.

Na minha opinião não existe Medicina, sem História Clínica.

Da mesma forma que nós, como indivíduos, somos uma resultante das nossas histórias e das nossas vivências, o paciente com os seus sintomas e os sinais que nós observamos na examinação cuidada do paciente, intra-oral e extra-oral também está pronto a contar a sua história.

Temos de saber ouvir o paciente. Ouvir e compreender as histórias e as estórias, as que poderão ter reflexo prático e direto na fisiopatologia da doença e as estórias que estão apenas para nos distrair, ou quando muito para ajudar o próprio paciente a relembra e a encaixar as peças do seu próprio puzzle.

Em sede diagnóstico, é fundamental termos acesso aos melhores e mais actualizados meios auxiliares de diagnóstico e isto é algo que a boa prática da Cirurgia Oral e Implantologia não poderá jamais abdicar.

Aqui, em particular e de forma muito expressiva, a Imagiologia ganha contornos de importância crucial, na sua vertente radiológica.

Tenho ao meu dispor, nas minhas Clínicas, tecnologia actual, “tecnologia de ponta” como agora está muito na moda referir.

1 – Raio-X periapical digital com o qual conseguimos detectar e/ou avaliar e medir:

  • pequenas lesões dos tecidos duros na região envolvente ao dente
  • presença de cáries dentárias
  • Reabsorções intra e extra-radiculares
  • Defeitos ósseos proximais e distais em relação a cada dente
  • Distância a estruturas anatómicas relevantes, como nervos e cavidades anatómicas que não podem ser lesionadas e muito menos lesadas, com manifestações e complicações clínicas temporárias ou definitivas
  • Posicionamento de implantes dentários intra e pós-operatoriamente
  • Doenças ósseas inflamatórias e infeciosas
  • Trauma dentário

Como limitação, e falando de forma generalista, temos o tamanho da sonda intra-oral, que precisamente por entrar na cavidade oral, é de um tamanho reduzido e por isto, a imagem radiológica também terá uns limites mais reduzidos, não nos permitindo avaliar mais do que 1 a 3 dentes e respectivas zonas envolventes a cada toma de radiação.

2- Raio-X panorâmico, Ortopantomografia Digital, que nos oferece uma importante ajuda de diagnóstico em várias situações:

– Como o próprio nome comum nos descreve a função, o Raio-X panorâmico, a chamada imagem Panorâmica, oferece ao Clínico que a requisita e estuda, uma imagem geral dos tecidos duros, ossos e dentes da cavidade oral, nasal e antral (seio maxilar), como exemplo:

  • Serve de primeiro diagnóstico e plataforma onde se começa a construir um plano de tratamento.
  • Permite em apenas um corte 2D (2 dimensões) visualizar de uma só vez todos as peças dentárias em boca e suas estruturas adjacentes (ligamento periodontal e osso alveolar)
  • Em termos de trauma, podemos despistar uma percentagem razoável de trauma dentário (sendo a primeira opção um raio-x periapical), trauma dos maxilares, osso mandibular e osso maxilar, trauma da articulação temporo-mandibular (não sendo exame de 1ª escolha para este tipo de diagnóstico)
  • Lesões granulomatosas e quísticas dos tecidos duros
  • Planeamento de Cirurgia de Implantes

3 – C.B.C.T. – (Cone Beam Computed Tomography), que nos oferece o estudo em 3D das estruturas anatómicas e que surgiu com uma necessidade de termos presente informação mais fidedigna e precisa que um exame em 2D como a Ortopantomografia, mas que que por seu lado pudesse emitir menos radiação do que uma Tomografia convencional.

Permite:

  • Um estudo mais detalhado e completo para o planeamento de cirurgias de implantes.
  • Uma abordagem mais segura em extrações dentárias junto a estruturas anatómicas nobres, como o exemplo de nervos
  • Rigor na medição das dimensões ósseas presentes e disponíveis
  • Planeamento virtual das cirurgias com a possibilidade de colocação na imagem dos modelos de implantes com respectivas qualidades e dimensões
  • Reconstrução 3D das imagens, para cirurgia Oral e Maxilofacial

Na minha prática clínica, a segurança do paciente vem sempre em primeiro lugar, quer na prevenção de acidentes, na contaminação biológica, a chamada infeção cruzada entre pacientes e equipa médica e entre pacientes, e na avaliação e proteção do risco radiológico.

Começa tudo na História Clínica e na recolha de informação do estado de saúde do paciente e evitamos sempre que possível o uso de radiação, nomeadamente em grávidas e em crianças, respeitando as “Guidelines” específicas para a situação quer da Direção Geral de Saúde (D.G.S.) quer da Ordem dos Médicos Dentistas (O.M.D.).

As nossas Clínicas estão construídas de acordo com os requisitos exigidos, possuem material de proteção para os pacientes e colaboradores, medidores de radiação e um apertado controlo de segurança radiológica por parte das autoridades competentes e auditados por entidades independentes criadas para esta função.

Como acredito que os nossos pacientes são cada vez mais interessados e activos na partilha de decisão terapêutica, na relação médico-paciente, quero também acrescentar neste artigo, uma comparação da radiação entre os diferentes exames radiológicos.

As máquinas de C.B.C.T. mais actuais e das gamas superiores, como a que temos na nossa Clínica, permitem uma emissão de luz pulsada em vez de uma emissão de luz continua, o que para que se tenha uma ideia:

– Um scanner dura entre 5 a 40 segundos, dependendo do tipo de exame e de área a registar. Quanto mais extensa a área, maior o tempo de exposição.

– Para um scanner de 20 segundas, poderemos ter com uma emissão de um feixe de luz pulsada, uma exposição de 3,5 segundos apenas à radiação. (Whaites E, 2013)

A dose efectiva de Radiação depende de:

  • Quantidade e tempo de exposição
  • O tamanho do campo de visualização, F.O.V. do Inglês “Field of View” (quanto maior, mais radiação)
  • O tipo do equipamento utilizado (os modernos equipamentos digitais emitem menos radiação do que os antigos analógicos)
  • A localização anatómica do campo a irradiar e a estudar (Whaites E, 2013)

Exemplos de níveis de Radiação de acordo com o tipo de Exame Radiológico:

(unidades de dose Efectiva – (E) mSv)

  • Radiografia Periapical – 0,0003 – 0,022
  • Radiografia Panorâmica – 0,0027 – 0,038
  • Raio-X ao Tronco – 0,014
  • Raio – X ao Crânio – 0,02
  • Tomografia Computorizada Cabeça – 1,4
  • Tomografia Abdómen – 5,6
  • Tomografia maxilares – 0,25 – 1,4
  • CBCT dento-alveolar – 0,01 – 0,67
  • CBCT Cranio – facial – 0,03 – 1,1

(Whaites E, 2013)

Como em tudo na vida temos de saber adequar e selecionar para cada situação clínica, o meio auxiliar de diagnóstico adequado.

Não existe um exame perfeito e prova disto mesmo, é a necessidade de por vezes, termos de requisitar e fazer mais do que um. Mas hoje em dia, com a tecnologia que temos ao nosso dispor, contribuímos para uma prática clínica cada vez mais previsível, eficaz e segura, e a possibilidade de podermos planear virtualmente as nossas intervenções Cirúrgicas, permite-me a mim como Cirurgião ser cada vez mais seguro, confiante e feliz com a tecnologia que nos ajuda no nosso trabalho diário, tanto na área que me compete da Cirurgia Oral e Implantologia, como no próprio planeamento virtual da Reabilitação Oral. Mas eu só falo daquilo que sei, e deixo para os meus colegas, falarem das suas áreas específicas.

Esta é a beleza e a segurança do trabalho em Equipa, e nós nas Clínicas CERO, não abdicamos de ambas.

Termino a agradecer a vosso tempo e atenção com este meu texto.

Até breve e não se esqueçam de serem felizes. Apesar de tudo, sorrir não dói.

Se for o caso, se o facto de sorrir lhe provoca dor, náusea, ou desequilíbrio, consulte o seu médico dentista.

Até uma próxima oportunidade!

Dr. Luis Pinheiro

Dr. Luis Pinheiro

• Mestre em Cirurgia Oral e Maxilofacial no Eastman Dental Institute – University College of London
• Membro Associado da Sociedade Britânica de Cirurgia Oral (n.º 2277)
• Membro associado da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Oral
• Pratica Exclusiva privada em Cirurgia Oral e Implantologia
• Implantologia e Cirurgia Avançada em Cadáver – Universidade de Barcelona
• Reabilitação de Maxilas Atróficas com Credenciamento em Implantes Zigomáticos – INEPO – São Paulo
• Membro permanente da equipa de formação da S.I.N. – Implant System – como orador para Portugal e Europa, com mais de 1000 horas de formação dada, Cirurgia Oral e Implantologia

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